terça-feira, 1 de abril de 2008

Piolho!

Piolho. Talvez esse seja o primeiro e único ser vivo que habitou a minha cabeça. Piolho, com pê maiúsculo. Coça sua cabeça só de pronunciar esta palavra, né?! P I O L H O. O que muitos não sabem, é que o Piolho é como as formigas – fazem buracos, chegam até o cérebro.
O Piolho é podre, mas é burguês... Só gosta de cabeças limpas. Piolho é podre, mas odeia gente podre, e meninos maus não tem piolho. Lembro que em 1996 tive piolhos, mas já estou grande e podre demais para ter piolhos. Mas pelo menos um, pelo menos um Piolho ainda permanece vivo em meu cérebro.

Limpa, limpa vassourinha :)

Lavagem do Bonfim. Lavagem cerebral. Lavagem semanal. Lavagem de dinheiro.
Lavagem doméstica, lavagem corporal, lavagem espiritual, lavagem de pratos, lavagem anal, Lavagem da Praça do Boxexo, lavagem de roupas, lavagem espanhola, Lavagem da Rua Nova, lavagem capilar, lavagem vaginal, lavagem dos alimentos, lavagem de automóveis. Lavagem. Lavagem.

Já viu porque a água esta acabando?!
E o mundo ainda continua sujo.

Atirei o pau no gatô-tô.

Às seis horas saia de casa, ao som de Ave Maria, e corria para o campo. Menino perverso. Subia nas árvores, e destruía o lindo coro das cigarras. Com uma linha, das costuras de sua avó, amarrava a cigarra ao meio. Essa era sua brincadeira preferida. A cigarra, assustada, andava em círculos sobre a cabeça do menino, terminava a brincadeira até ficar tonto, o menino ou a cigarra, que muitas vezes caia morta ao chão. Ás vezes, a brincadeira era interrompida por sua mãe, que mandava o menino entrar, porque o céu já não estava mais laranja.
Era Quaresma. E mesmo esse clima nostálgico e cristão, não fazia com que o menino parasse de deixá-las tontas. O mundo era um círculo, seus olhos eram uns círculos, e isso o deixava tonto. Nada de rebeldia sem causa, era malvado por natureza. Matar formigas, queimadas com borro de vela já não o satisfazia mais. A Cigarra foi seu prêmio. Péssimas cantoras, dizia ele, ainda temos que subir no alto pra apanhá-las. Você sabe como é difícil pegar uma cigarra e amarra-la? Você sabe como é difícil acompanhar todo seu movimento, em círculo, em volta de sua cabeça?! Deixa qualquer um tonto.
Amarrar cigarras, e mata-las, virou uma compulsão do menino. Quando voltava da escola, e tirava sua farda, o menino saia correndo pelo campo com uma linha na mão.
Subir. Pegar. Amarrar. Pronto! O resto do espetáculo era por conta da cigarra.
Isso se repetiu por inúmeras semanas.
Até que ele ficou tonto, e cansado de ver uma cigarra, idiota, andar em círculos em desespero. Com a mesma cara de decepcionado, quando percebeu quantas queimaduras teve no dedo, queimando caminho de formigas na parede da cozinha.
Agora ele queria um bicho muito maior, e mais difícil de machucar, um gato, um cachorro talvez. Mas homem não! Homem só basta palavrinhas para machucar, e isso era fácil demais para o menino.

Interstício 01

Nenhum corpo fica ligado totalmente ao outro. Existe sempre um espaço vago, no vácuo, sem sentimentos, sem cheiro. O vazio vai se demonstrando muito mais vago.
Nem nosso corpo é totalmente ligado a alma.
É capaz de se passar vida até na mão mais fechada.
Entre um texto e outro, existe aqui.
O interstício das letras.
Havia vida em cada entrelinha. Espera aê! Mas não era vazio?!

domingo, 30 de março de 2008

O diário de Heida

Bom, eu e Gina vamos começar a escrever em um blogue, a história de Haida (se pronuncia Heida vúh!) é como se fosse um diário, cheio de pseudônimos e nada pessoal, batido Alice no país das maravilhas com algumas bolinhas farmacêuticas. Quem quiser visitar clica na imagem abaixo, e abaixo dessa imagem tem o primeiro texto que eu postei lá...

A casa da Rua 4

Morava ele ali, acompanhado de seus livros e animais selvagens, era a única coisa que sabíamos do Homem da Rua 4.
O dia estava laranja, e eu mais laranja ainda, enquanto caminhava junto a Haida. Olhavam a casa, casa morta, como um pão criando mofo. Era difícil, nós imaginarmos como alguém conseguiria viver ali, trancafiado, vítima do tédio da monotonia solitária. Haida não conseguia solidão nem no choro.
Talvez o Homem havia se isolado porque alguém, aqui ,o machucou muito. Ou ele mesmo tomou uma queda enquanto tentava voar, como de praxe.
Haida e eu tratavam aquela casa como um outro mundo, criaramos o 'lá' e o 'aqui'. Ninguém jamais soubera o que existia dentro daquela casa - - além de um homem solitário, livros, gatos, e um $ no jardim. Eu ia contando cada detalhe da casa da Rua 4, enquanto os olhos de Haida brilhavam, como uma criança na porta de uma bomboniere a ponto de devorar todos os doces, ela queria saber daquilo tudo.
- E esse símbolo de dinheiro no jardim? Perguntava ela olhando por entre as pequenas grades que davam oxigênio aquela casa.
- Na verdade é um ‘s’, ele se chama Silvio.
- O homem da casa da rua 4 se chama Silvio? Indagava Haida, com sua mania de transformar respostas em perguntas, como uma máquina precisando de códigos de confirmação. Era mais uma chance de ter certeza do que havia escutado, já que sempre foi enganada. Assim, criou este anticorpo. Fazendo com que cada pergunta fosse re-dirigida e confirmada por um ‘sim’ ou ‘não’... sim ou não, aqui e lá...
- Sim, ele se chama Silvio.
A luz laranja do sol, dava espaço para as luzes dos postes, também alaranjadas. Aquela casa não era suja. Apenas escura, o muro evitava a luz. Muros construídos para evitar toda ilusão que o Homem, homem que agora tinha um nome, passou aqui. Agora ele sofria só, ou apenas o que nos imaginávamos, enquanto observávamos daqui. Ninguém consegue viver feliz com barreiras, e o homem havia criado as suas próprias. De repente, do último quarto da casa, foi possível ver uma luz que se locomovia junto a uma sombra.
- Olha, ele esta acordado!
Estava frase soava como ‘olha, ele esta vivo’, foi o que eu li nos olhos de Haida. Vivo no seu mundo. Mundo limitado por quatro paredes. Ficamos alguns minutos ali na porta do Homem, imaginando como seria por dentro aquela casa de telhados japonês, como seria Silvio, como seria por dentro aquele homem. estávamos soprando vida dentro de uma casa morta, estávamos ganhado novas vidas, e adquirindo os mofos da casa.
Eu estava brilhando, procurando em cada interstício uma beleza para a solidão.
E Haida, inevitavelmente, havia vestido um pouco daquela casa. Estava fechada. Havia criado sem si, seu próprio mundo, com histórias onde os personagens tinham um pseudônimo, ‘O fantástico mundo de Haida’ era um corpo de 60 kg, pálido e cheio de cólera. Ninguém jamais soubera o que se passava por dentro dela, além de um coração e um estômago para engolir suas pílulas de sonho antinômico.

domingo, 25 de novembro de 2007

I can't stop.

Eu não sei. Apenas não sei.

World in world.

Mundo in mundo
Mundoinmundo
Mundo inmundo
Mundo imundo
Mundo. ;
______imundo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Boliviano

Eu sempre andei em caminhos errados,
mas encontrava uma chegada, sem os atalhos.
Desejava o impossível,
pois achava mais fácil de se realizar.
Eu que errava o certo,
com medo de acertar as coisas erradas.
Fui mau, tô mal.
Assim escrevia poesias sem rimas,
e falava sobre Deus.
Eu sou salgado, e apimentado;
com pingos doces por cima,
Boliviano de padaria.
Tinha preço, e me achava caro,
vendia, e doava, sentimentos.
Não sei o que é mútuo,
Não sou erudito, e leio pensamentos.
Cansei de bolar planos,
e de cobiçar a mulher do próximo.
Eu peco, e peço.
Eu que me descobrir em um espelho,
que tenho medo do fundo.
Eu e a menina dos teus olhos, casal, parceiros.
Sou assim,
vivo em minha paz triste,
cheio de doce, em uma pessoa salgada.
Boliviano de padaria.
Trocava mas por mais,
E não sabia pedir menos.
Eu que sempre fui um egoísta escondido,
que desejava a morte dos inimigos.
Eu que sempre tive poucos amigos.
E a minha língua que só eu entendia,
meus versos, minhas cifras.
Meus erros de português,
minhas falhas humanas;
Salgado por melancolia.


As vezes uma máscara é fundamental para um belo carnaval.