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sábado, 25 de junho de 2011

Correspondente

Meu caro desconhecido,

Confesso que encontrar-te as vezes não é um prazer, chega a ser um tanto desconfortável, porque primeiro há o grande bloqueio.
Ainda pensei que indo pra longe jamais te encontraria outra vez, mas parece que é destino. O que tu chamarias de karma.
Sem esperar uma unica palavra tua, venho te questionando de modo que eu mesmo encontre as respostas. Mas do que me adianta encontrar, se ainda não sei como usar?
Tu já conseguistes me ferir diversas vezes. Ma sempre mantive isto em segredo. Ferir é um crime, e tu deves ainda ser livre. Mas desta vez será ao meu modo.
Se não tivesse acostumado comigo mesmo, haveria o exagero. Mas em mim só há espaço para a simplicidade.
E se não for simples, não encaixa.
Já reparastes como sou contraditório em tudo que escrevo para ti?
É que não tenho mais medo do temporário, amigo. Nem utilizo mais os números para somar.
E se eu deixasse tu falar por uma vez? Este é o meu erro.
Mas é que tu não precisas das palavras. Se tem algo que nos diferencia é o teu olhar; ele te entrega. E quem tem olhos não precisa das palavras.
Não foi nosso primeiro encontro depois da última carta. Mas é que das outras vezes aconteceram de forma diferente. Sempre tinha o outro. E o outro disse: olha lá, lá do outro lado, olha o desconhecido...
Na verdade disseram; olha lá... o estranho. Mas é que eles não tinham a sensibilidade de distinguir.
Então não escrevi para ti. Pois não te achei, apenas te vi.
E te achar é meu grande prazer.

Fica Bem,

Juca Lord.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

enviar-se

Meu caro desconhecido (se ainda assim posso te chamar),

Escrevo desta vez para falar de mim - é que quando te vi caminhando sozinho nesta cidade, que parece te jogar contra todo cinza, contrastando com a vibração das cores de teus defeitos, pude ver um raio de sol que atravessava teu cabelo, ressaltando um laranja, que para mim eram apenas minhas lembranças.
Parece que as poças d'agua, ainda nas ruas, servem para nos lembrar do passado, do ontem. E em meio ao gradiente que me apresentaram, pareço que ainda eu sou o estranho. Os meus olhos já não dizem nada e as palavras são perdidas por outras. Conheço-me muito menos que ti, não sei me expressar, senão por borrões de nanquim - que depois dou vida com aquarela.
Espero te encontrar e me perder mais um pouco.


J. Lordello

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

dobrar-se II _ ou redobrar-se

Meu caro desconhecido,

Hoje te reencontrei, da última vez que te vi você parecia tão triste, café frio. Fico feliz por te ver assim, em meio aos amigos, divertindo-se. Espero que tudo isso seja eterno, nunca esqueça deste cair de tarde. Sabia que você sorrindo muda completamente?
É . Até seus olhos brilham seguindo o sol. Queria tanto te conhecer, mas tenho medo. Você é tão cheio. Obrigado por estar feliz.

J.l.

domingo, 4 de outubro de 2009

dobrar-se


Meu caro desconhecido,
Hoje eu te encontrei nesta cidade que não é de ninguém. Foi um acaso. Talvez por isso senti sua presença. Há tanto tempo não te via assim, triste e solitário. Te faltava uma mão. E assim, como uma criança. ou como um artista. tu escondia no bolso, como se eu não fosse perceber. Faltava uma parte tua. E você me escondia, como uma criança ou um artista, no sorriso da tela - dos lábios que enganavam as palavras.
Te ver, assim, me deixou forte, é que quando tu tirou tua armadura, eu a peguei e me protegi. Pois assim, estavamos prontos para o combate.
A última vez que te vi, estava tão destraído comigo mesmo. Desculpe. aprendi a me divertir só. a rir de meus pensamentos. Estava tão destraído que levei um susto quando te vi. no reflexo. perdido em mim. Quando, então, me olhou desprezivelmente, me senti como você. sufocado. com as mãos no bolso.
Sinto em ter que terminar por aqui. E deixar tudo tão incompleto. como você.
Escreverei mais, quando te encontrar.

Um grande abraço,
J.L

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Uma carta ao número 08041990-0031

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Meu caro desconhecido,

Há muito tempo não te escrevo, mas é apenas porque hoje eu possuo quatro mãos, o que me atrapalha ao te escrever.
Hoje eu decidir usar meu verdadeiro nome, e te falar que sinto saudade de tua falso-presença enquanto conversava comigo e só. O que foi mais dícil para mim, foi aprender a escrever uma carta para duas pessoas. Mas minha preguiça e minha falta de usura, me ensinou a gastar duas folhas.
Naquele dia que eu enterrei o amor na praia, junto com meus amigos, 'o amor que era representado por uma pedra vermelha que pouco me importa o nome' ao lado de cinzas de cigarro, eu estava engando. Estava enterrando uma pessoa viva, o que fez de mim um fraco.
Amigo desconhecido, me sinto fraco ao ter que abrir aquele túmulo, mas foi inevitavél, ou impossivél. Aquele sol, e o rivotril que molhou minhas calças, me deixou uma criança, como você. Eu poderia brincar de fazer castelinhos na areia, antes de enterrar nela minha felicidade.
Desculpa te perguntar tantas coisas em minha carta, e nem te da o direito de resposta. Mas com você, eu queria falar só de mim. Desculpe meu egoísmo.
Dias atrás eu escrevi um texto, e gostaria muito que você pudesse ler.
Queria poder te contar todas minhas mudanças, o acréscimo de alguns anos me amadureceu e levou algumas lembranças. Parei de tratar as pessoas com metáforas ainda utilizando pseudônimos.
Te espero. Venha assitir A Noiva Cadavér, você vai adorar a morte representada por cores.


Abraços,
de seu amigo Junior.