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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Interstício 7

Não que minha memória seja o pequeno percurso de luz que neste instante invade um lado do quarto, mas é que nele me apego antes de sair. Fecham-se as janelas, já não mais os vejo. Antes havia aqui um reservatório de água, o pé de abacate que alguém cortou enquanto eu viajava, os latidos de um cachorro. Quando fecham a janela, para onde vai esta luz?
Se é a janela a saída para quem foge, ou a entrada de quem busca refúgio, porque a luz não fica aqui, junto comigo, quando fecham a janela?
Não que minha memória seja tão curta, um breve espaço, mas já não sei se lá fora o sol ainda continua a fazer desenhos na calçada. Pode ser noite. Sempre em frente, dois degraus à direita, é o paraíso. Assim um dos anjos me avisa o caminho para morte. Fecham-se as janelas, já não mais o vejo. Se sobrar coisas de mim, além destas palavras, dos rabiscos, essas ocuparão o breve tempo do percurso que a luz abandona o quarto para secar as roupas no varal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

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tem uma palavra que não quero falar.
(mas sempre tá presente)
Não passado, às vezes futuro.
Sinto-me é um doido. E quero.
Querer pertence ao tempo. Pertence, de sujeito, de predicado.
Pertence à palavra proibida.
Nunca passado.
Quero é futuro num presente - ( ainda sem embrulho). É realidade em sonho - ou o sonho de uma realidade?
Talvez seja lembrança, daí o Querer se faz passado, não pertence mais à regra. Sempre passado. Dessas coisas que já não aconteceram.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Interstício 1250

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De grão em grão nada se move.
É necessário o preencher instantâneo,
para que não tenha o vazio,
a fome,
a solidão.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Interstício 3_ ou OFTAMOLOVE.

Dizem que os olhos são espelhos da alma. Tenho miopia, roubaram meu óculos - e a cada dia que passa enxergo bem menos.

Uma vez mostrei minha alma e não conseguiram entender.
Agora fecho os olhos quando timidamente meu coração acelera - não quero que nada escape.
Meu único contanto com o exterior é o tato.
Não sei se é arriscar demais andar de cabeça baixa, se esbarrar infantilmente. Mas conto com você, quando ando no escuro - conto com seus olhos, pois os meus são sensíveis. Só espero que me guie, aperte minhas mãos, é o que tenho para oferecer. sinta-me.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Interstício 08_ # de nº 20


O desejo que se faz quando apaga-se a vela, é que ela se mantenha acesa até o próximo sopro.
E no caos da eternidade, os símbolos vão se perdendo - as velas vão sendo trocadas. Até uma próxima chama.
E entre os dias, fico perdido na contagem.
Mas um ciclo dado _ o eterno.

Feliz aniversário, dia 8.

sábado, 30 de maio de 2009

Interstício 5322

O espaço vazio que nos move a completar.
A fenda aberte entre o corpo e a alma.
Estamos diante à essa brecha todos os dias, basta a nós preencher.
-só não sabemos como.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Interstício 08


Nascer juntos.
Confesso, que antes de mim, isso já existia.
E nunca deixará de existir.
Já passou a ser algo mais que uma data comemorativa. É algo fundamental.
És que estou aqui de novo, antes de estar, antes de ser alma e corpo, e do interstício que as separam.
A infinidade dos anos que me comovem, a infinidade que move as cores - dentro de mim.

Não basta ser colorido. É preciso ter alma. Li que o arco-iris não reflete na água, pois não possue corpoealma , não é matéria. Minha alma, preto e branco, hoje refelete em mim, em mim-água que corre junto ao rio, uma sequência matemática de números de vida, de dias, de experiência.
Daí, nasce eu, de novo, na história atemporal de uma coisa que já existia antes de ser ela, mas foi inventada.
Passar aqui é me manter vivo. É saber olhar pra trás num caminho sem luz.
Não podemos pegar, não podemos enxergar, mas é esse movimento inútil de virar que me une.


Hoje para mim começa mais um ano - 8 de abril.
Feliz aniversário (para mim e para ele)


Juka8.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Interstício 05

Entrou no chuveiro com os óculos, agora aquilo tudo já fazia parte de seu corpo.
A água escorrendo pelas lentes, a cachoeira cobrindo a iris dos olhos do menino, era apenas uma cegueira paradisíaca - OFTAMOLOVE.
Assim, ele, descobriu que escrever o que acontecia, era pra ser usado em diários. Agora seus livros eram formados por histórias imaginárias, que eram mais modeláveis, livro dos sonhos.

Escrever não é fotografar, não é revelar uma realidade, uma ação ocorrida.
Escrever é sonhar, é modelar massas de letras sentimentais.


interstício02

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Interstício 02

Uma nuvem, uma casa, uma árvore, e um casal de bonecos palitos viviam no desenho riscado pela criança.
Um sol, uma chaminé, flores e frutas complementavam o espaço do papel da criança.
O amor dos bonecos, a felicidade da casa por abrigar uma família alegre, os animais que comiam o fruto daquela árvore, estavam ali... ali, entre o contato do grafite e do papel da criança.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Interstício 01

Nenhum corpo fica ligado totalmente ao outro. Existe sempre um espaço vago, no vácuo, sem sentimentos, sem cheiro. O vazio vai se demonstrando muito mais vago.
Nem nosso corpo é totalmente ligado a alma.
É capaz de se passar vida até na mão mais fechada.
Entre um texto e outro, existe aqui.
O interstício das letras.
Havia vida em cada entrelinha. Espera aê! Mas não era vazio?!