- Prometa que dessa vez não vai mudar.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
borda
esqueço rapidamente o próximo acorde e a canção para. no céu a nuvem prata ameaça chover.
quando cheguei em amsterdã embaixo de uma chuva incessante, corremos para a primeira porta aberta que encontramos. Negociei com a recepcionista um quarto com janela para rua, ambos com um péssimo francês que resultaria no pequeno quarto com vista para o telhado do prédio ao lado. no dia seguinte as ruas haviam tornado grandes canais por onde passeavam barcos e turistas. o sol já havia feito seu trabalho e permanecia em seu trono azul-incrível.
nesta terra distante, onde me comunico por uma língua que não é minha e nem deles, gosto de aproveitar o ócio. meus pés confirmam; não me cansaria de fotografar esses canais - nem mesmo se eles estivessem vazios.
quando cheguei em amsterdã embaixo de uma chuva incessante, corremos para a primeira porta aberta que encontramos. Negociei com a recepcionista um quarto com janela para rua, ambos com um péssimo francês que resultaria no pequeno quarto com vista para o telhado do prédio ao lado. no dia seguinte as ruas haviam tornado grandes canais por onde passeavam barcos e turistas. o sol já havia feito seu trabalho e permanecia em seu trono azul-incrível.
nesta terra distante, onde me comunico por uma língua que não é minha e nem deles, gosto de aproveitar o ócio. meus pés confirmam; não me cansaria de fotografar esses canais - nem mesmo se eles estivessem vazios.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
danos
1.
agora que tenho as mãos sobre o universo escuro posso observar detalhadamente cada marca, atrás de mim milhares de estrelas.
2.
agora que tenho as mãos sobre o universo escuro posso observar detalhadamente cada marca, atrás de mim milhares de estrelas.
2.
dividimos naquela noite algo perdido no mundo; depois que alcançarmos o interstício nada mais restará que seja visível. Talvez em alguns anos, milharesdanos, a lua em sangue perca-se mais uma vez sobre a luz da cidade - tudo igual, exceto nós. Tenho passado dias buscando criar fotografias. Não gosto de fotografias, gosto do perdido. Mas cresce em mim uma espécie de homem que quer tudo em caixas de vidro, iguais, talvez seja maldições de meu signo, vejo ao fundo esta constelação.
3.
quando descobri a cor do lençol, já pela manhã, custou acreditar que entregaríamos o ouro de uma só vez. Foi a primeira (única) vez que me disse eu te amo, em linguagem de sinais com as mãos (e era a primeira vez que deitava comigo).
4.
me presenteou com um livro que logo devorei. Parecia água caindo sobre as folhas, água agitada. um encontro.
Sutilmente disse que fotografia não é memória. Tudo assim está perdido, mesmo em caixas.
3.
quando descobri a cor do lençol, já pela manhã, custou acreditar que entregaríamos o ouro de uma só vez. Foi a primeira (única) vez que me disse eu te amo, em linguagem de sinais com as mãos (e era a primeira vez que deitava comigo).
4.
me presenteou com um livro que logo devorei. Parecia água caindo sobre as folhas, água agitada. um encontro.
Sutilmente disse que fotografia não é memória. Tudo assim está perdido, mesmo em caixas.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Para entrar na água, deve olhar a lua entre as estrelas.
Tenho pra mim que se este grande mar
segue os princípios da luz do sol sobre a lua, a força que os três exercem em
mim, me divide em mil fases. Devo tê-los conhecido em lua nova. Ou ainda era
lua cheia? Talvez. O mar tranquilamente violento batia ao canto de nossas camas
molhando os seis pés. Água mole, gente
dura, aconteceu. De manhã restou apenas nós dois e ela ainda segurava minha
mão. As ondas haviam levado nossas roupas, nossas vergonhas e todos os outros.
O mar deixou apenas o seu movimento em nosso corpo. E quem conhece o balanço do mar, a Terra sempre parece parada.
Não
adianta muito bem seguir,
disse-me. Você parece estar apaixonado.
Os ponteiros do relógio seguem aquela direção, mas nunca foram setas pra se
orientar. E foi assim que mais uma noite veio e continuávamos dormindo.
Não poderia deixar de notar que a
terra jogava sua sombra sobre a lua aquela noite. Eram trezentos e sessenta e
cinco dias seu ciclo ao redor do sol. E em cada ciclo, em cada manhã, quando o
sol mais uma vez nascesse, não saberíamos qual lado do sol enxergávamos. Nem há
diferença – qualquer lado é uma bola imensa de luz, que ilumina, mas também
cega. Então, pra onde olhar?
![]() |
| Disse ao marinheiro: Para entrar na água, deve olhar a lua entre as estrelas. |
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
aos animais noturnos
.
aos animais noturnos, que pelo som se comunicam no escuro,
deixo minha mensagem - de gemidos - em código morse.
aos animais noturnos, que pelo som se comunicam no escuro,
deixo minha mensagem - de gemidos - em código morse.
--- -. -.. .- ... / -.. --- . .-.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
quem q'eu me lembro
.
que abriu seu próprio corpo, em autópsia, para procurar qualquer coisa que havia perdido.
que abriu seu próprio corpo, em autópsia, para procurar qualquer coisa que havia perdido.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
retificações
Eu disse não, ela insistiu. Depois de 3 horas descobri que estava errado.
Não volto atrás.
.
.
sábado, 8 de junho de 2013
Cortei o pedaço das águas sobre a folha e construí o orvalho onde
repousaríamos. Você colocou a cabeça em meus ombros e com uma voz triste trouxe
uma história que anexei em meu larousse para traduzir qualquer sentimento que
ainda não houvesse nomes. Deste dia ainda tenho a foto do céu, e nela consigo
ver o final do universo, ainda desfocado. Encontrei-a outro dia, dentro do
livro que havia levado na ocasião caso ficássemos em silêncio e isso nos
constrangesse. Desde a descoberta, comecei a entender o sentido de tua
história, ou de qualquer história, antes do sentido. Nelas apenas há vida.
Quando o vento bate sobre os coqueiros ao lado de minha casa penso que é
chuva. O barulho, aos meus ouvidos, é o mesmo. As folhas dançam umas com as
outras como os pingos de água batem no chão. Recordo-me disto para lembrar que
também sou passível aos erros. Agora eu me lembro, naquele dia, tua voz era
apenas tristeza ou havia dengo? Existe em toda tristeza uma parte de carência?
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