sexta-feira, 30 de abril de 2010

Interstício 3_ ou OFTAMOLOVE.

Dizem que os olhos são espelhos da alma. Tenho miopia, roubaram meu óculos - e a cada dia que passa enxergo bem menos.

Uma vez mostrei minha alma e não conseguiram entender.
Agora fecho os olhos quando timidamente meu coração acelera - não quero que nada escape.
Meu único contanto com o exterior é o tato.
Não sei se é arriscar demais andar de cabeça baixa, se esbarrar infantilmente. Mas conto com você, quando ando no escuro - conto com seus olhos, pois os meus são sensíveis. Só espero que me guie, aperte minhas mãos, é o que tenho para oferecer. sinta-me.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Experimento 12311

sobre o medo, a dor e a garganta seca.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

enviar-se

Meu caro desconhecido (se ainda assim posso te chamar),

Escrevo desta vez para falar de mim - é que quando te vi caminhando sozinho nesta cidade, que parece te jogar contra todo cinza, contrastando com a vibração das cores de teus defeitos, pude ver um raio de sol que atravessava teu cabelo, ressaltando um laranja, que para mim eram apenas minhas lembranças.
Parece que as poças d'agua, ainda nas ruas, servem para nos lembrar do passado, do ontem. E em meio ao gradiente que me apresentaram, pareço que ainda eu sou o estranho. Os meus olhos já não dizem nada e as palavras são perdidas por outras. Conheço-me muito menos que ti, não sei me expressar, senão por borrões de nanquim - que depois dou vida com aquarela.
Espero te encontrar e me perder mais um pouco.


J. Lordello

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Interstício 08_ # de nº 20


O desejo que se faz quando apaga-se a vela, é que ela se mantenha acesa até o próximo sopro.
E no caos da eternidade, os símbolos vão se perdendo - as velas vão sendo trocadas. Até uma próxima chama.
E entre os dias, fico perdido na contagem.
Mas um ciclo dado _ o eterno.

Feliz aniversário, dia 8.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Carel

Mais on nerico
di la cormi um pas
De la melsoa jogare
Pertentembir onle su par

Que end catem
Ole, ole maes ser cas
Conde oen mare seguer
Contempular onle sur mar

Mondre seunde lus
o nelma contem nelos, cas
Embade mae mare halm
Cutimir onde sur gar

Bo me onds cheiries, onds vestenda la lus... me la onle por liarte, onds vireids la csus.
Creniante soir mamete ti que vi.
Pelmor dilti, lo me surti alt invers.

domingo, 28 de março de 2010

Dentro.


Por fora eram completamente iguais. A vista de suas janelas eram a mesma, só mudava a direção.
Enquanto ela era acordada pelo os primeiros raios do sol, ele o via se pôr sobre o mar.
E assim, ainda dentro de suas casas, trocavam nos olhos uma mensagem pra janela vizinha - verdades compartilhadas. Mas, ainda protegidos pelas paredes e grades, se sentiam seguros.
Quando não queriam ir pra chuva, ou para o mar, ficavam como uma fotografia, sem idade, sendo enquadradas em um espaço vazio, preso em um caixote sem cor.
Por vezes, sentiam ainda pingos, vindos da brisa ou de nuvens negras, que carinhosamente atingiam suas faces - como um beijo ou um tiro, que quebravam vidros e não respeitavam leis físicas. Fechavam os olhos. E estavam completamente livres. Dentro de seus mundos, observavam tantos universos - lá fora, como uma criança que espera atenciosamente por estrelas cadentes.

Qual o tamanho de um mundo? O que se cabe em uma janela? O que se passa lá fora, quando ainda estamos dentro?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

pequenas descobertas nº 3536_

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pra quem conheceu o balanço do mar,
a Terra parece muito parada.



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lovelovelove'

quando seus pés se encontraram, ele soube que estavam no mesmo caminho.
não há mais dúvidas, nem medo.
quando se pode caminhar juntos.