terça-feira, 24 de agosto de 2010

Grandes viagens.

Tem um de mim que ainda não partiu... Que continua sentando no vão de embarque, sonhando com a grande viagem.
É assim que sempre fui. Desde menino, a expectativa pelo jogar-se era sempre maior e mais longa que o próprio passeio. Para mim, a viagem começa no arrumar das malas, é quando estamos mais presentes no destino. Ainda não existe o lá-aqui, nem a saudade, apenas o grande suspense onírico do arrancar de motores.
Aprendi a viver com além-lá, o sempre-aqui. Aqui ao lado, no vão de embarque...
Sempre pronto a viajar.

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

folhas.

Para não dizer que não fotografei as àrvores.



E assim registrar:

  • que de algum modo ainda olhamos para o céu;
  • que mesmo os galhos mais frágeis e desprotegidos ainda continuam firmes no inverno;
  • que o tempo meteorológico ainda é a melhor metáfora para se falar de sentimentos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

_fuga

Hoje acordei com vontade de fumar e escrever. De fato ambos nunca me perteceram, nunca os soube tragar, a nicotina e a palavra nunca habitaram meu corpo - se não por um alguns minutos. Sempre me entreguei aos rémedios sem bula, como se de algum modo eles pudessem curar a ferida mais profunda tão rapidamente e sem dor.
E mesmo que tão incompleto, arriscar-se em um campo desconhecido é seguro e confortável. Então, sem preocupação com os erros, acendi, traguei e os primeiros versos tortos me fizeram tossir.
Sei que de nenhum modo esses pequenos rituais caberiam em mim.
Até o anoitecer a última partícula de nicotina perderia-se no vento,
a útlima palavra esmagada perderia-se no meu sono.
E novos dias viriam, novas vontades, as mesmas dores e a grande sensação estrangeira de poder fugir.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

'abstraia-se'

sábado, 29 de maio de 2010

pequenas descoberta nº 3504


Quando meu irmão foi voar, a primeira coisa que pedi a ele foi um pedaço de nuvem.
Ele voltou, sem nada nas mãos, e me disse: 'Em cima das nuvens, existem outras nuvens... parece não ter fim.'
O infinito sempre foi grande em mim, mas sabia que além daqui, além de lá, além do tempo e das nuvens, tudo me pertenceria para sempre.
A chuva só veio como um aviso.
Corri para a rua e deixei ela habitar meu corpo. Pois eu sei que a chuva são pedaços de nuvens que tocam na Terra, pedaços do eterno que habitam em nós.
E a eternidade, que tanto amedrontava, hoje é serena, hoje faz parte de mim além daqui, além de lá, além dos tempos e das nuvens.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Interstício 3_ ou OFTAMOLOVE.

Dizem que os olhos são espelhos da alma. Tenho miopia, roubaram meu óculos - e a cada dia que passa enxergo bem menos.

Uma vez mostrei minha alma e não conseguiram entender.
Agora fecho os olhos quando timidamente meu coração acelera - não quero que nada escape.
Meu único contanto com o exterior é o tato.
Não sei se é arriscar demais andar de cabeça baixa, se esbarrar infantilmente. Mas conto com você, quando ando no escuro - conto com seus olhos, pois os meus são sensíveis. Só espero que me guie, aperte minhas mãos, é o que tenho para oferecer. sinta-me.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Experimento 12311

sobre o medo, a dor e a garganta seca.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

enviar-se

Meu caro desconhecido (se ainda assim posso te chamar),

Escrevo desta vez para falar de mim - é que quando te vi caminhando sozinho nesta cidade, que parece te jogar contra todo cinza, contrastando com a vibração das cores de teus defeitos, pude ver um raio de sol que atravessava teu cabelo, ressaltando um laranja, que para mim eram apenas minhas lembranças.
Parece que as poças d'agua, ainda nas ruas, servem para nos lembrar do passado, do ontem. E em meio ao gradiente que me apresentaram, pareço que ainda eu sou o estranho. Os meus olhos já não dizem nada e as palavras são perdidas por outras. Conheço-me muito menos que ti, não sei me expressar, senão por borrões de nanquim - que depois dou vida com aquarela.
Espero te encontrar e me perder mais um pouco.


J. Lordello